Sexo
Entre quatro paredes...
O que os olhos não veem, o coração — e o resto do corpo — não sente. Então descubra o que você pode fazer para aumentar o termostato da sua cama — e da relação
o caso
>Ela quer agitação
o casal Rita e Daniel, 20 e tantos anos, morando juntos
>> Quando começaram a namorar, Rita e Daniel transavam com frequência, mas quando foram morar juntos, depois de dez meses, a situação mudou. Enquanto Rita queria experimentar sexo apimentado, Daniel se dava por satisfeito por ficar abraçadinho e rolar sob os lençóis duas vezes por semana. Logo, Rita se sentia impaciente e entediada. “Ela está sempre inventando novidades: brinquedos sexuais, ménage à trois, filmadora no quarto...”, disse Daniel. “Qual é o problema em simplesmente fazer amor? Eu quero emoção; ela, só adrenalina.”
a receita
Encontrem-se no meio.
Quando você está nadando nas águas da aventura, há uma extremidade rasa e uma profunda. Se duas pessoas dão sinais de incompatibilidade sexual, precisam encontrar um meio-termo em que ambas estejam confortáveis. Daniel e Rita tiveram de achar maneiras para compartilhar fantasias que satisfizessem ambos. Eles finalmente decidiram transar da maneira que Daniel gostava — intensamente, olho no olho — em frente a uma câmera, como Rita queria. O truque: concordaram em não assistir à fita até (e se) Daniel sentir-se pronto. Rita descobriu que a melhor parte de filmar o sexo era a imaginação necessária para isso. E a timidez inicial de Daniel sumiu quando ele descobriu o diretor que havia dentro dele.
o caso
Ambos estão fingindo
o casal Denise e Bruno, 30 e tantos anos, relacionamento sério
>> Denise e Bruno orgulhavam-se de uma vida sexual selvagem, que incluía assistir a filmes pornôs e interpretar as cenas com gemidos teatrais. Demorou para Denise confessar que fingia orgasmos com mais frequência do que Michael Jackson entra na faca. Mas o problema era duplo: Bruno fazia exatamente o mesmo! Eles ficaram tão envolvidos em interpretar que não aproveitavam nada.
a receita
Missão: orgasmo.
Bruno e Denise precisavam recomeçar, então sugeri 30 dias de desintoxicação sexual: eles podiam desfrutar da intimidade física, mas não estavam autorizados nem a pensar em gozar. Também sugeri que tirassem a pornografia de cena — isso os impedia de alimentar a conexão real que tinham entre si. Embora céticos no início, eles acabaram desenvolvendo novas variedades de “sexpectativas” que não tinham nada a ver com filmes pornôs, e sim com os sentimentos que tinham um pelo outro. O bônus? Acabou a falsidade. Denise descobriu que a língua de Bruno “é mais poderosa que sua espada” e que ela precisava de preliminares prolongadas para alcançar o clímax. Bruno pode desencanar e deixar que seus orgasmos ocorram naturalmente, agora que não precisa mais se preocupar com os de Denise. E, quando o orgasmo não está na pauta, nenhum dos dois finge. (Dica: se você costuma inventar que chega ao clímax, é melhor admitir, desde que assuma sua responsabilidade e não ponha a culpa no parceiro.)
o caso
>Ninguém consegue nada
o casal Alex e Sara, 30 e poucos anos, casados
> Falta de tesão é a reclamação número 1 que escuto dos pacientes. No início do relacionamento, a vida sexual de Alex e Sara era ótima. Mas, após quatro anos e um filho, estavam exaustos e estressados. Como Sara não trabalhava mais na agência de publicidade onde os dois haviam se conhecido e se apaixonado, parecia que tinham cada vez menos em comum. Eles tentaram transar com hora marcada, mas a pressão criada fazia com que preferissem deixar o compromisso de lado. Quando veio até mim, o casal temia que a atração que tinham antes um pelo outro houvesse minguado, a tal ponto que não restasse outra alternativa além da separação.
a receita
Tirar uma folga.
Há dois tipos de desejo sexual. O psicogênico começa na mente e desencadeia um coquetel neuroquímico poderoso — você se sente toda eriçada no momento em que seu namorado ou marido entra no quarto. Já o desejo baseado nos reflexos é puramente físico e menos arrebatador — são necessários dez minutos de preliminares vigorosas para que você fique em ponto de bala. A maioria dos relacionamentos começa com o segundo e termina com o primeiro, o que pode parecer um declínio. Embora o problema apareça na cama, a solução está fora dela, em que novas experiências vão fazer seus hormônios sexuais ferverem de novo. Recomendei a Alex e Sara que tirassem uma tarde de folga semana sim, semana não e usassem esse tempo para almoçar em um restaurante novo e talvez fazer umas comprinhas numa sex shop antes de buscar a filha na escola. Eles me contaram que suas rapidinhas agora acontecem uma vez por mês, mas que a expectativa nos outros dias revigorou seu relacionamento.
o caso
>Ela tem um marido no trabalho
o casal Cláudia e André, 40 e poucos anos, casados
> Vejo cada vez mais mulheres envolvidas em amizades profundas com homens, geralmente pessoas que conheceram no trabalho. Esses relacionamentos podem ser tão estimulantes quanto um episódio de Grey’s Anatomy, mas roubam a energia sexual que você normalmente reservaria para o seu marido. Quando Cláudia começou uma amizade colorida com um homem que trabalha com ela (vamos chamá-lo de Douglas), ela escondeu de André. Só atendia as ligações de Douglas quando estava sozinha e se escondia com seu BlackBerry no banheiro para lhe mandar e-mails. Por fim, ela discutia seus problemas conjugais mais com Douglas do que com André. Cláudia percebeu que estava indo longe demais quando começou a fantasiar com o colega enquanto fazia sexo com o marido.
a receita
Seja transparente a respeito das suas amizades.
Conte francamente ao seu marido sobre as vezes em que encontra seu amigo e sobre o que conversam. Não que você não possa ter amizades do sexo oposto, mas se há detalhes a esconder é porque algo está errado. Nunca fale com seu amigo sobre problemas em casa, principalmente se você não os estiver compartilhando com seu parceiro. Quando André desconfiou e começou a bisbilhotar, ficou duplamente arrasado com o que ela vinha dizendo sobre seu casamento. A partir daí, Cláudia pediu a Douglas que não lhe telefonasse ou mandasse e-mails. Limitando o contato com Douglas, ela redirecionou a energia para seu casamento e está recebendo mais do amor e afeto que almejava. O dr. Kerner começou a fazer aconselhamentos sobre questões sexuais e de relacionamento depois que sua própria vida sexual virou uma batalha. É autor de cinco livros, entre eles Fala Sério! Você Também Não Está a Fim Dele (Ed. Best Seller, 176 págs.).
> POSSO SER HONESTO?
A surpreendente verdade sobre homens e orgasmo
Os homens são tão capazes de fingir orgasmos quanto as mulheres. Sim, garanto que nós podemos e fazemos, de maneiras que até a Meg Ryan invejaria. Mentimos pelos mesmos motivos que vocês: não queremos ferir os sentimentos de nossa parceira e desejamos nos sentir próximos mesmo sem necessariamente estarmos a fim de sexo. E às vezes, acreditem ou não, tudo o que queremos é ficar abraçadinho, assistir à novela das 8 e comer a quentinha de comida chinesa no sofá com vocês.